Portuguese version below. Versão em português abaixo.
Berlin, August 24th, 2026 (The Berlin Spectator) – Since the early 1980s, I’ve been fascinated by Brazilian culture. I started listening to Bossa Nova, Samba and Brazilian Jazz as a teenager and still do so today. João Bosco, Banda Black Rio, Gal Costa, Elis Regina? Be my guest. My partner and I listen to those sounds all the time. This year alone, we experienced stunning concerts by Marcos Valle and Eliane Elias in Germany and spoke to these geniuses afterwards. Of course I have watched movies like “Bye Bye Brazil”, “Central Station” and “Ainda Estou Aqui”. Also I read about Brazil.
Since I partially grew up in Mexico City, I somehow feel like a partial Latino. If I ever get to Rio de Janeiro, I expect to feel at home because of the vibe, the feel and even the smells I already know and like. I may not speak Portuguese, but I’ll communicate like a pro by using my Spanish.
My love was born in Rio de Janeiro. She grew up there and experienced the seventies, eighties and nineties there before she came to Europe and became a German citizen. By now, she is even more of a Berliner than I am. But, back then, she traveled through Brazil extensively and knows her former home country. She studied in Rio and worked in the favelas. So, if our household accommodates anyone who really knows Brazil, it is her.
Somewhat Different
I have this romantic idea of Rio. So far, I have not been able to convince her to go there with me. In case I succeed one day, I want us to meet people she knows, hit the beach she went to every day as a teenager, experience concerts at the Blue Note located at Avenida Atlântica 1910, right at the Copacabana, and listen to people playing Bossa guitars or Samba on rhythm instruments on the streets of the city.
My partner’s idea of Rio is somewhat different. She says being there would be challenging. We would have to be careful all the time and the danger of us getting mugged would be real. At this stage, she doesn’t feel like taking the risk. She hasn’t been back to Rio in 21 years.
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On the one hand, we know many people, mostly Brazilians living in Berlin, who do go to Rio de Janeiro on a regular basis. In most cases, nothing happens to them. The more nice holiday stories we hear, from Ipanema and the entire city, the stronger my case becomes.
Criminals and Gangs
On the other hand, the travel advisories published by the Foreign Ministry here in Berlin do not sound too romantic: “Crime rates and the risk of becoming a victim of violent crime are high in Brazil, especially in major cities such as Belém, Fortaleza, Maceió, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, and São Paulo. Favelas are particularly affected. Some favelas are controlled by criminals and drug gangs. Armed clashes, including with police, frequently claim uninvolved bystanders as victims.” Then, they give us more scary stories about favelas.
“Criminal incidents occur most frequently on quieter downtown streets, at beaches, and on highways leading to airports”, the experts at the ministry say. “Perpetrators are often armed and frequently under the influence of drugs — weapons are also used for trivial reasons.” I have to admit: This does not sound reassuring at all. Those travel warnings strengthen my partner’s case.
So, will we see those people in Rio? Will we see and feel the sandy beach, the salty water and enjoy the Bossa Nova live? I don’t know. My chances might be 50:50, or probably more like 25:75, in her favor.
“You dream of a Rio that doesn’t exist anymore.” That’s what she tells me. And she might be right. But don’t tell her I said so.
Portuguese version:
Rio de Janeiro: Sonho Versus Realidade
Minha amada e eu parecemos ter ideias “ligeiramente” diferentes sobre o Rio de Janeiro.
Berlim, 24 de agosto de 2026 (The Berlin Spectator) – Desde o início dos anos 1980, sou fascinado pela cultura brasileira. Comecei a ouvir Bossa Nova, Samba e Jazz brasileiro quando era adolescente e ainda escuto até hoje. João Bosco, Banda Black Rio, Gal Costa, Elis Regina? Pode chamar. Minha parceira e eu ouvimos esses sons o tempo todo. Só este ano, assistimos a shows incríveis de Marcos Valle e Eliane Elias na Alemanha e conversamos com esses gênios depois. É claro que já assisti a filmes como “Bye Bye Brazil”, “Central do Brasil” e “Ainda Estou Aqui”, e já li bastante sobre o Brasil.
Como cresci em parte na Cidade do México, de certa forma me sinto meio latino. Se algum dia eu chegar ao Rio de Janeiro, espero me sentir em casa por causa do clima, da vibração e até dos cheiros que já conheço e gosto. Posso não falar português, mas vou me virar como um profissional usando meu espanhol.
Minha amada nasceu no Rio de Janeiro. Ela cresceu lá e viveu os anos setenta, oitenta e noventa antes de vir para a Europa e se tornar cidadã alemã. Hoje em dia, ela é até mais berlinense do que eu. Mas, naquela época, ela viajou extensivamente pelo Brasil e conhece seu antigo país natal. Estudou no Rio e trabalhou nas favelas. Então, se há alguém em nossa casa que realmente conhece o Brasil, essa pessoa é ela.
Um Tanto Diferente
Eu tenho essa ideia romântica do Rio. Até agora, não consegui convencê-la a ir para lá comigo. Caso eu consiga um dia, quero que a gente conheça pessoas que ela conhece, vá à praia onde ela ia todos os dias quando adolescente, curta shows no Blue Note, localizado na Avenida Atlântica 1910, bem em Copacabana, e ouça pessoas tocando violão de Bossa ou Samba nos instrumentos de ritmo pelas ruas da cidade.
A ideia da minha parceira sobre o Rio é um tanto diferente. Ela diz que estar lá seria desafiador. Teríamos que tomar cuidado o tempo todo, e o risco de sermos assaltados seria real. Neste momento, ela não sente vontade de correr esse risco. Ela não volta ao Rio há 21 anos.
Por um lado, conhecemos muita gente, principalmente brasileiros que vivem em Berlim, que vão ao Rio de Janeiro regularmente. Na maioria dos casos, nada acontece com eles. Quanto mais histórias de férias agradáveis ouvimos, de Ipanema e da cidade inteira, mais forte fica o meu argumento.
Criminosos e Gangues
Por outro lado, os avisos de viagem publicados pelo Ministério das Relações Exteriores aqui em Berlim não soam tão românticos: “As taxas de criminalidade e o risco de se tornar vítima de crime violento são altos no Brasil, especialmente em grandes cidades como Belém, Fortaleza, Maceió, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. As favelas são particularmente afetadas. Algumas favelas são controladas por criminosos e gangues de traficantes. Confrontos armados, inclusive com a polícia, frequentemente fazem vítimas entre pessoas não envolvidas.” Em seguida, dão mais histórias assustadoras sobre as favelas.
“Os incidentes criminais ocorrem com mais frequência em ruas menos movimentadas do centro, em praias e em rodovias de acesso aos aeroportos”, dizem os especialistas do ministério. “Os autores costumam estar armados e frequentemente sob efeito de drogas — armas também são usadas por motivos fúteis.” Tenho que admitir: isso não soa nada tranquilizador. Esses avisos de viagem fortalecem o argumento da minha parceira.
Então, será que vamos ver essas pessoas no Rio? Vamos ver e sentir a praia de areia, a água salgada e curtir a Bossa Nova ao vivo? Não sei. Minhas chances talvez sejam de 50:50, ou provavelmente mais como 25:75, a favor dela.
“Você sonha com um Rio que já não existe mais.” É isso que ela me diz. E talvez ela tenha razão. Mas não conte a ela que eu disse isso.
